quarta-feira, 17 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Mudando Hábitos

Existe no ser humano dois tipos de aprendizagem que correspondem ao que se agrega nas interações com o ecossistema ao seu redor, conhecimento nato, e o que já vem no ser como herança do desenvolvimento biológico, ou conhecimento inato.

Aprender significa incorporar padrões que modificam os já estabelecidos. Gera mudança de comportamento como critério avaliativo de resultado. Ou seja, aprender gera mudança comportamental.

Biologicamente, as informações circulam no cérebro através dos neurônios, responsáveis pelos impulsos eletroquímicos que vão gerar os pensamentos, sensações, processos, etc.

Quando se estabelece um padrão comportamental, uma sequência de neurônios e acionada e fica propensa, magneticamente, a repetir o padrão original. Este caminho eletroquímico, uma vez utilizado, torna-se tendente a repetir-se até que se torne uma via segura e ágil para responder aos estímulos que provocaram tal programação. Deu-se um aprendizado ou condicionamento, cuja função é tornar o ser ágil para responder adaptativamente os variáveis e inconstantes desafios da manutenção e perpetuação de sua existência.

Mesmo que não se precise de tal resposta, ainda assim permanece o padrão criado e o ser pode passar a responder de forma defensiva a impulsos puramente interpretativos de sua mente (não reais), como uma possibilidade de ameaça, necessariamente, não existente. Gera-se então a ansiedade.

Ao repetir-se os padrões que despertam as reações de defesa antecipadas, para preparar o indivíduo para reagir, sem a ocorrência do fato esperado, reforça-se cada vez mais as conexões neurológicas, ou caminhos eletroquímicos geradores de tais comportamentos.

A resposta para tal incoerência natural é a mudança dos padrões através de estímulos para outros ramos de conectivos do cérebro. É a reprogramação através da busca por um padrão diferente, que desviará a tendência ao comportamento estereotipado para outra direção, até que com a continuidade se dê um novo aprendizado.

Quando os padrões se modificam, as conexões originais se enfraquecem por menos uso e as novas se fortalecem, tornando-se vias principais para novas respostas para velhos estímulos.

Em resumo, mudar algo que se aprendeu requer acrescentar novo direcionamento ao que já se tem assimilado, é dar novo sentido ao que se já sabe e não apagar tudo que se adquiriu.

Todo aprendizado se apresenta como mudança de comportamento aproveitando todos os demais aprendizados anteriormente adquiridos.

Na natureza nada se perde e nada se cria. Tudo se transforma.


Lembre-se, dentro de você existe infinitos aprendizados adquiridos ao longo de sua vida. Transformá-lo é o trabalho e, todo potencial para a mudança encontra-se latente dentro de cada um. É preciso primeiro saber que rumo tomar para em seguida traçar o caminho e caminhar em sentido contrário ao indesejável, porém voltado para o ponto que nos fará mais felizes, reprogramando-se para melhores hábitos que precisam ser repetidos, mais e mais, a cada dia.

Ricardo Ramos

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mudança

Muitas vezes, não estando satisfeitos com o rumo que a vida segue, pensa-se em mudar, sem saber exatamente o quê. Algo incomoda e angustia, enquanto se está como cego no meio do furacão.

Então, é bom entender que qualquer processo de mudança precisa partir de alguns pressupostos muito bem definidos. Um é o estado atual em que se encontra o indivíduo, outro é uma visão clara do que se deseja alcançar, ainda outro seria, quais os recursos para se alcançar o que se precisa, para se mobilizar em direção do almejado. 

Lembre-se que o foco sobre o que "não se quer" não leva a nenhum lugar objetivo. Somente uma visão clara do que se quer, pode suscitar questionamentos fortes, o suficiente, para tirar o indivíduo da inércia e impeli-lo a busca pela mudança com segurança.

Assim, o primeiro passo para uma mudança é estabelecer o objetivo claro.
O que realmente desejo da vida?
Onde quero chegar?
Quando estiver lá, o que vou sentir?
O que ocorrerá de valoroso quando eu alcançar?
O que pode ocorrer de negativo com este alcance?
Alcançar vai modificar minha vida para melhor?
Poderei compartilhar meu alcance? Com quem? Por que é importante compartilhar? Ou não é?
O que desejo é uma finalidade em si, ou é um meio de se chegar a outro ponto?
Que ponto desejaria alcançar depois deste objetivo?

Questionamentos deste tipo nos levam a conhecer bem o que queremos, ou onde queremos chegar.
É fundamental, também, praticarmos o velho... "conhece-te a ti mesmo e conhecerás os homens e os Deuses do Universo" (frase atribuída a Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia - Inscrição do frontispício do templo de Delfos).

É preciso conhecer-se a si para saber o exato gasto de energia necessário para se projetar para um Eu desejável. A isto podemos chamar de grau de consistência. Depende de uma noção clara de suas capacidades, ou estado atual, como ponto de partida para se alcançar um objetivo, ou estado de ser, desejável.

Daí surge uma questão importante: qual a distância entre o que se é, ou onde se está, para o que se quer ser, ou onde se quer estar?

Se a distância entre o que se é e o que se quer exigir pouco esforço, então o grau de consistência é grande e o potencial para a mudança é grande, também.

Na medida em que o que desejo requer muitas ações intermediárias, até se chegar onde se quer, significa que o grau de consistência diminuiu e consequentemente a possibilidade de realizar-se.

Se entre o que se deseja e o que se pode, existir uma distância muito grande, anula-se o poder de realização direto e carece de uma estratégia onde através de alcance de objetivos ou metas intermediárias se possa chegar onde se quer.

Uma coisa é certa... uma vez traçado o foco e desmembrado o objetivo em várias pequenas metas realizáveis, na medida em que o ser vai vencendo, uma à uma, sua crença em sua autoeficácia vai se solidificando e aumentando seu grau de resiliência (capacidade de superar dificuldades e se fortalecer com isto) tornando-o, cada vez mais, um ser capaz de promover mudanças em si mesmo, pelo fato de ter agregado em sua autoestima o entendimento de que faz parte de sua identidade ser superador de obstáculos. 

O indivíduo passa a crer, sobre si mesmo, que tem o poder de autorregeneração, de crescimento, de transpositor de barreiras e, acredita, convictamente, que tem o poder da resistência e persistência onde, aconteça o que acontecer, ele é o responsável por manter-se, ou não, no foco e no domínio da mudança que deseja promover.


Assim, mudar requer autoconhecimento para se conhecer o Eu real e onde precisa mudar, exatamente; onde se quer chegar, para não se perder no meio do caminho e, não basta saber o que não se quer, é preciso estabelecer exatamente o quê, como estado desejado; por fim avaliar se existe congruência entre o que se é e o que se deseja, de si mesmo e, os reflexos que isso possa ter, não só na própria vida, mas por desdobramento, na vida dos nossos próximos.

Para andar cem metros é preciso, somente, se concentrar em um único e bem realizado passo. Depois do primeiro, pensa-se em repeti-lo mais aperfeiçoado e confortável que o anterior e, assim, cada um dos passos até o centésimo será um exercício de crescimento que, por si, tará sido mais importante que o centésimo passo, aquele que te mostrará o quanto se é capaz de crescer com os pequenos gestos.

Ricardo Ramos.