segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mudança

Muitas vezes, não estando satisfeitos com o rumo que a vida segue, pensa-se em mudar, sem saber exatamente o quê. Algo incomoda e angustia, enquanto se está como cego no meio do furacão.

Então, é bom entender que qualquer processo de mudança precisa partir de alguns pressupostos muito bem definidos. Um é o estado atual em que se encontra o indivíduo, outro é uma visão clara do que se deseja alcançar, ainda outro seria, quais os recursos para se alcançar o que se precisa, para se mobilizar em direção do almejado. 

Lembre-se que o foco sobre o que "não se quer" não leva a nenhum lugar objetivo. Somente uma visão clara do que se quer, pode suscitar questionamentos fortes, o suficiente, para tirar o indivíduo da inércia e impeli-lo a busca pela mudança com segurança.

Assim, o primeiro passo para uma mudança é estabelecer o objetivo claro.
O que realmente desejo da vida?
Onde quero chegar?
Quando estiver lá, o que vou sentir?
O que ocorrerá de valoroso quando eu alcançar?
O que pode ocorrer de negativo com este alcance?
Alcançar vai modificar minha vida para melhor?
Poderei compartilhar meu alcance? Com quem? Por que é importante compartilhar? Ou não é?
O que desejo é uma finalidade em si, ou é um meio de se chegar a outro ponto?
Que ponto desejaria alcançar depois deste objetivo?

Questionamentos deste tipo nos levam a conhecer bem o que queremos, ou onde queremos chegar.
É fundamental, também, praticarmos o velho... "conhece-te a ti mesmo e conhecerás os homens e os Deuses do Universo" (frase atribuída a Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia - Inscrição do frontispício do templo de Delfos).

É preciso conhecer-se a si para saber o exato gasto de energia necessário para se projetar para um Eu desejável. A isto podemos chamar de grau de consistência. Depende de uma noção clara de suas capacidades, ou estado atual, como ponto de partida para se alcançar um objetivo, ou estado de ser, desejável.

Daí surge uma questão importante: qual a distância entre o que se é, ou onde se está, para o que se quer ser, ou onde se quer estar?

Se a distância entre o que se é e o que se quer exigir pouco esforço, então o grau de consistência é grande e o potencial para a mudança é grande, também.

Na medida em que o que desejo requer muitas ações intermediárias, até se chegar onde se quer, significa que o grau de consistência diminuiu e consequentemente a possibilidade de realizar-se.

Se entre o que se deseja e o que se pode, existir uma distância muito grande, anula-se o poder de realização direto e carece de uma estratégia onde através de alcance de objetivos ou metas intermediárias se possa chegar onde se quer.

Uma coisa é certa... uma vez traçado o foco e desmembrado o objetivo em várias pequenas metas realizáveis, na medida em que o ser vai vencendo, uma à uma, sua crença em sua autoeficácia vai se solidificando e aumentando seu grau de resiliência (capacidade de superar dificuldades e se fortalecer com isto) tornando-o, cada vez mais, um ser capaz de promover mudanças em si mesmo, pelo fato de ter agregado em sua autoestima o entendimento de que faz parte de sua identidade ser superador de obstáculos. 

O indivíduo passa a crer, sobre si mesmo, que tem o poder de autorregeneração, de crescimento, de transpositor de barreiras e, acredita, convictamente, que tem o poder da resistência e persistência onde, aconteça o que acontecer, ele é o responsável por manter-se, ou não, no foco e no domínio da mudança que deseja promover.


Assim, mudar requer autoconhecimento para se conhecer o Eu real e onde precisa mudar, exatamente; onde se quer chegar, para não se perder no meio do caminho e, não basta saber o que não se quer, é preciso estabelecer exatamente o quê, como estado desejado; por fim avaliar se existe congruência entre o que se é e o que se deseja, de si mesmo e, os reflexos que isso possa ter, não só na própria vida, mas por desdobramento, na vida dos nossos próximos.

Para andar cem metros é preciso, somente, se concentrar em um único e bem realizado passo. Depois do primeiro, pensa-se em repeti-lo mais aperfeiçoado e confortável que o anterior e, assim, cada um dos passos até o centésimo será um exercício de crescimento que, por si, tará sido mais importante que o centésimo passo, aquele que te mostrará o quanto se é capaz de crescer com os pequenos gestos.

Ricardo Ramos.


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